Manoel Azevedo 'Manduquinha' morre aos 104 anos em Óbidos - AMAZOON NOTÍCIA

JURUTI 139 ANOS

Manoel Azevedo 'Manduquinha' morre aos 104 anos em Óbidos

Manoel Azevedo 'Manduquinha' morre aos 104 anos em Óbidos

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(foto: reprodução/ redes sociais)

Músico obidense era conhecido por sua história de vida e paixão pelo violão.

Manoel Azevedo dos Santos, mais conhecido como “Manduquinha”, faleceu aos 104 anos na sexta-feira (14), em Óbidos, no oeste do Pará.

“Manduquinha” era obidense, nascido no dia 3 de maio de 1917 na comunidade Matá, atualmente considerada área remanescente quilombola.

Neto de ex-escravos, não chegou a conhecer o pai, foi o 2º dos sete filhos de Dona Raimunda Azevedo dos Santos, também natural de Óbidos, nascida na mesma comunidade. Nos anos de 1918 a 1919, devido a um surto de impaludismo (malária, ou gripe espanhola) na região, Manoel perdeu cinco irmãos.

Não frequentou escola pública, mas aprendeu a ler e escrever com um descendente de escravos, o professor “Tonéca”, que ministrava aulas particulares em uma residência.

Em 1958, após passar boa parte da juventude trabalhando em garimpos em Rio Branco, Porto Velho, Rondônia, Cuiabá, no estado do Paraná, São Paulo e Minas Gerais, “Manduquinha” retornou à Óbidos, onde se casou aos 30 anos com a senhora Elza Ribeiro dos Santos, que na época tinha 17 anos. O casal teve 14 filhos.


A música


A música entrou na vida do homem “bom de ouvido”, que em pouco tempo aprendeu a dominar os acordes do violão, sem nunca ter frequentado uma escola de música.


Em 1980, fez parte da primeira formação de um grupo musical que tocou nas festividades do Sagrado Coração de Jesus, padroeiro do bairro Cidade Nova.


Nascia ali, o grupo "Pau e Corda", que por muitos anos se apresentou nas manhãs de domingo na Rádio Atalaia AM. Durante 2h o grupo tocava, ao vivo, músicas de época que resultavam em uma das maiores audiências do rádio obidense.


'Manduquinha', embora fosse um músico autodidata e apaixonado pelo violão, trabalhou como carroceiro até 2008 para sustentar a família. Adquiriu popularidade em Óbidos e sempre foi respeitado.

Em 2017, ao completar 100 anos, foi homenageado pela Câmara Municipal de Vereadores, com uma sessão solene, que relembrou a história do veterano músico do “Pau e Corda”. Também foi homenageado por familiares e amigos em uma grande festa por seu centenário.

Morte

“Manduquinha” morreu de causas naturais, por volta das 19h30, em sua residência no bairro Cidade Nova em Óbidos. O corpo dele está sendo velado no mesmo local.

O sepultamento será realizado no domingo (16), pela manhã, no cemitério São João Batista.


Por:
Redação Amazoon Notícia
Com informações extraídas da entrevista concedida por 'Manduquinha' em 2015, ao professor e historiador Carlos Vieira

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